
Árvore Cambuci |

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Conhecido desde o século 16, o Cambuci é um dos bairros mais antigos da cidade que se têm registro. Seu nome nasceu devido à grande quantidade de cambuci, uma árvore de boa madeira e com um fruto apreciado em infusão com aguardente, que existia no local.
Nos primórdios da São Paulo de Piratininga, passava pela região de Cambuci uma trilha que dava acesso ao Caminho do Mar, utilizado por tropeiros para chegar em Santos. Aos poucos, principalmente a partir de 1850, desenvolveu-se ao redor da trilha um pequeno comércio e algumas chácaras, sítios e fazendas.
No passado, a região era considerado uma divisa entre a cidade e a zona rural. O que separava essas zonas era um córrego que existiu no lugar onde hoje é a rua dos Lavapés. Lá, para os tropeiros e viajantes que entravam na cidade pela baixada da Glória, era hábito lavar os pés e dar de beber aos animais antes de seguir para a zona urbana.

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Bairro do Cambuci em 1927 |

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Por volta de 1870, foi erguida no bairro a Capela Nossa Senhora de Lourdes. Segundo moradores, a capela teria sido construída em razão da devoção de Eulália Assumpção e Silva (1834-1894), responsável pela construção do santuário, a Santa de Lourdes. A igrejinha reproduz com fidelidade o cenário da gruta da cidade francesa que leva o mesmo nome da santa.
A construção do Museu do Ipiranga (Museu Paulista), em 1890, e da linha de bonde que atravessava o Cambuci, ligando o centro da cidade ao museu, valorizou as chácaras da região que começaram a ceder espaço a exploração imobiliária.
Nessa mesma época, com a chegada de imigrantes europeus, a maioria italianos, começou a ampliação do limite urbano no Cambuci, com a abertura de ruas e a construção das casas. Várias fábricas também começaram a ser instaladas na região, como a Chapeos Ramenzoni, a Nadir Figueiredo e a Villares.

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Igreja da Glória |

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Em 1895, ficou concluída a Igreja da Glória, que se originou da Capela N. S. de Lourdes, havendo antigamente na parte baixa do morro onde a igreja foi construída uma pequena cruz de madeira conhecida por Santa Cruz do Cambuci.
Por registrar um grande número de manifestações operárias no início do século 20, e por abrigar numerosos imigrantes italianos, alguns moradores afirmam que o Cambuci é o berço do anarquismo em São Paulo. O local de encontro político da época era o Cine-teatro Guarani.
Outro fato que tem um significado especial na história do bairro foi a tomada Igreja da Glória por rebeldes durante a Revolução de 1924. Liderados pelo general Isidoro Dias Lopes, apossaram-se da igreja, que fica no ponto mais alto da região, de onde era possível ver o movimento das tropas na cidade.

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Jornal do Cambuci: Tudo começou nos corredores da Cásper Líbero
Primeiras idéias
No início das aulas na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero em 1981 um grupo de amigos que militavam no movimento estudantil resolveram criar um jornal de bairro.
Começamos as reuniões em oito pessoas. A primeira idéia foi a de lançarmos um jornal na Vila Mariana.
Depois de alguns encontros que não avançavam o grupo se desfez e eu a minha futura esposa Mirna Leandro de Castro, o Homero Sérgio de Moura, o Túlio Grespan e a Heloisa Helvécia de Luiz resolvemos fazer um jornal no bairro do Cambuci.
As reuniões aconteciam na casa de meus pais na Rua Paulo Orozimbo, sempre regadas a algum quitute oferecido pela Dona Celeste.
Foram dezenas de encontros até decidirmos lançar o primeiro número em novembro daquele ano. Montamos a editora e alugamos uma sala na Rua Teodoreto Souto em cima do açougue do Sr. Aurélio e colocamos a mão na massa.
O projeto gráfico foi elaborado pelo desenhista Evanildo Nicoli que seguindo um pouco de nossos palpites fez um visual bem diferente do que havia de jornais regionais na época. O formato era tablóide e o “Jornal do Cambuci” vinha impresso na diagonal acompanhado de uma foto e uma manchete.
Nossa principal proposta era fazer um trabalho de defesa dos interesses da comunidade.
Início do trabalho
Logo em nossa primeira edição abordamos o problema das enchentes que atormentavam os moradores das ruas mais próximas à Avenida do Estado. Nossa edição era mensal.
Vivíamos aquele período de abertura política com o fim da Ditadura Militar e a organização civil começava a tomar corpo. Acompanhamos a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT) que foi o embrião da criação da CUT.
Também fizemos uma entrevista com Sinval Rosa presidente da Escola de Samba Império do Cambuci que se preparava para o carnaval de 1982.
Na parte cultural publicamos dois artigos de cinema da Sandra Teixeira e do Celso Sabadin. Divulgamos o show que o Língua de Trapo, comandados pelo Laerte Sarrumor, faria no teatro Lira Paulistana. Fizemos uma matéria sobre o Parque da Aclimação entre outros artigos que rechearam a edição.
Tudo ficou pronto no dia 12 de novembro. Fizemos toda a parte gráfica na Editora AFA que ficava na Avenida Liberdade. O Sr. Antonio Carlos com a maior paciência nos ajudou bastante naquele dia e colocou o Cláudio Costa para fazer o past-up.
Tudo foi difícil para o fechamento da primeira edição. Ficamos até a madrugada acompanhando todo o processo.
Nove horas da manhã do dia 13 a primeira edição do Jornal do Cambuci acabava de ser impressa. Tiramos 15 mil exemplares e não tínhamos idéia do volume de papel.
O meu carro era um fusca verde ano 1969 e foi com ele que trouxe, em 4 ou 5 viagens o jornal para nossa sede.
A edição com a manchete “Pelas Ruas do Bairro” ficou linda para as condições técnicas da época. Empilhamos todos os pacotes em nossa sala quando nos demos conta de um grande problema que ninguém tinha pensado até então. Como iríamos distribuir todo aquele jornal?
Nem tínhamos dormido aquela noite, mas mesmo assim decidimos ir para rua. Fizemos uma espécie de sorteio para saber qual seria a primeira rua que receberia o jornal. A Rua Paes de Andrade foi a primeira a ser escolhida. Eu a Mirna, minha irmã Tânia, meu irmão Ronaldo, o Homero, o Túlio fomos colocando o jornal na porta das casas.
Depois de uma semana de trabalho não tínhamos distribuído nem metade dos exemplares.
Todo dia olhava aqueles pacotes que teimavam em não acabar até que o Homero teve a idéia de contratar uns meninos para nos ajudar. Olhando da janela de nossa sala ele viu três garotos que faziam carreto na feira de quinta da Teodoreto. O Carlinhos, já falecido, O Edvaldo e o Ruço. Os três moravam em Diadema, mas vinham toda semana na feira da Teodoreto ganhar um dinheirinho para ajudar em casa.
Fui lá conversar com eles e na mesma hora aceitaram o convite. À tarde eles começaram a trabalhar. Em três dias terminamos a distribuição.
Nesse ínterim o Túlio e a Helô decidiram sair da sociedade e ficamos em apenas três para tocarmos o projeto.
Primeiras lutas e eventos
Com muita dedicação organizamos nosso trabalho. Tivemos que aprender muito rápido porque a aceitação do jornal foi acima de nossas expectativas. Vivíamos um período de retomada da democracia e liberdade.
No início de 1982 constatamos uma falta de atividades culturais e de lazer para os jovens. Tivemos a idéia de realizar um festival de arte. Em dois meses de reuniões e muito trabalho mobilizamos dezenas de jovens na organização do evento que recebeu o nome de Iª Mostra de Arte Livre do Cambuci. Levamos o projeto para a Secretaria Municipal de Cultura e o Secretário Mário Chamie nos ajudou na infraestrutura.
Foi o primeiro grande evento organizado por esse jornal o que nos tornou conhecido.
Ao longo de 1982 fizemos uma campanha para levantar a história do Cambuci entrevistando moradores antigos e reunindo um acervo de dezenas de fotos antigas.
Montamos uma exposição com o apoio do Banco Auxiliar.
Em junho decidimos reduzir nossa periodicidade para quinzenal.
Iniciamos 1983 com muitas idéias e projetos. Em 12 de janeiro fomos pegos de surpresa com a notícia de que a prefeitura de São Paulo estava cedendo por 40 anos uma importante área do Parque da Aclimação para o Colégio Anglo Latino.
Imediatamente entramos em contato com lideranças do bairro e juntamente com a comunidade conseguimos a organizar e realizar uma grande manifestação no Parque. Tudo foi feito em uma semana e neste dia a Prefeitura retirou a cessão de área. Foi uma grande vitória de todos.
Em função dessa luta foi criada a Associação de Defesa do Parque da Aclimação (ADEPA) que sob o comando da Maria Tereza Ribas Tavares e da jornalista Mirna Leandro de Castro começou um trabalho de Tombamento do Parque.
Foram três anos de luta até o Condephat Tombar a nossa principal área verde. Depois disso ninguém mais pode mexer no Parque e no seu em torno.
Foi uma vitória espetacular para a época demonstrando a força da organização civil pós Ditadura Militar.
O Parque da Aclimação se tornou a primeira área verde urbana Tombada no Brasil. Isso nos enche de orgulho.
Nesta época ampliamos o nome do jornal que passou a se chamar Jornal do Cambuci e Aclimação.
Essa experiência da luta no Parque nos ajudou, juntamente com um grupo de mães, a conseguir a primeira creche gratuita na região. A Creche Silvia Covas, localizada na Praça José Vicente Nóbrega, é uma realidade e contribuiu para que mães pudessem trabalhar fora.
Ao longo desses anos muitas praças e campanhas foram realizadas. Participamos da Festa das Crianças organizada pelos comerciantes da região, Passeio Ciclístico da Primavera entre tantos eventos.
Uma dessas atividades marcou nossa vida cultural que foi a Praça do Rock. Fomos procurados por um grupo de jovens idealistas entre eles o Dalan Jr. e o Cássio Leite Vieira. A proposta era a de realizarmos pelo menos uma vez por mês um evento de Rock no Parque da Aclimação.
Entramos de cabeça no projeto que era a de dar espaço para bandas novas com composições próprias. Conseguimos trazer a Paulistur, que hoje é a Anhembi Turismo, para abraçar a idéia. O apresentador e empresário João Dória Jr. era o seu presidente e gostou de nossa iniciativa. Foram anos de parceria até a Praça do Rock ficar muito grande e ter que ir para o Parque do Carmo na Zona Leste.
Paralelamente a esses acontecimentos a preocupação com as coisas do bairro eram permanentes.
Dezenas de eventos culturais e Esportivos foram realizados e em 1995 fizemos o nosso primeiro passeio ciclístico que se chamou Iª Pedalada Ayrton Senna em homenagem ao nosso grande piloto um ano após seu falecimento.
Nos anos seguintes o passeio mudou de nome e tornou-se Pedalada Cambuci e Aclimação até 2001. Em 2002 recebeu o nome da jornalista Mirna Leandro de Castro que desencarnou em 5 de agosto de 2001. Em 2010 aconteceu a 16ª edição.
Diretas Já
Em 1984 o Jornal do Cambuci e Aclimação foi o primeiro veículo de comunicação de São Paulo a entrar na Campanha das Diretas Já. Depois outros veículos como a Folha de São Paulo entraram nessa campanha.
Junto com representantes de vários partidos políticos e entidades organizamos um grande Show no Parque da Aclimação em favor das eleições.
Até a banda Ultraje a Rigor, grande sucesso na época compareceu. Foi uma grande festa da democracia em nossa região.
Era uma demonstração de que o jornal vinha para ficar.
Nesta época o Homero recebeu um convite para trabalhar como fotógrafo em um grande jornal.
Ficamos eu e a Mirna para cuidarmos dessa idéia de fazer um jornal de bairro diferente.
Em 1990 aumentamos de tamanho e periodicidade. Passamos a ser semanal no formato standard. Foi um salto de qualidade que fez o jornal crescer em números de páginas.
Nesta década consolidamos o Jornal do Cambuci e Aclimação e criamos uma metodologia própria de ação comunitária. Foi na metade dessa década que passamos a designar nosso trabalho como Imprensa Comunitária.
Muitas reivindicações foram atendidas nesse período como a primeira grande reforma do Balneário do Cambuci.
Melhorias no Parque da Aclimação sempre foi uma de nossas principais bandeiras que se intensificaram ao longo dos anos.
Maior tristeza
Em 2001 perdemos a jornalista e editora Mirna Leandro de Castro. Em 1997 ela teve o início do processo que a levou a desencarnar no dia 5 de agosto daquele ano. Sua coragem e dignidade em enfrentar a doença foi um exemplo de força que nos fez seguir com a luta de uma imprensa regional séria e batalhadora.
Os anos seguintes foram difíceis, mas a dedicação dos funcionários e colaboradores fez o jornal sobreviver e crescer.
A luta continua
Continuamos a realizar os eventos e lutar pelas melhorias da região. O Balneário do Cambuci, do qual fui diretor, teve sua segunda grande reforma em 2003.
Ajudamos na desapropriação do Colégio Anglo Latino para que no local não fosse construído um prédio de alto padrão. A ação do Vereador Dalton Silvano foi fundamental nesse processo.
Atualmente lutamos pela desapropriação da área onde era o templo da Igreja Renascer em Cristo para que se transforme em uma praça que abrigue o Museu do Cinema do Sr. Antonio Vituzzo.
Entendemos que a fonte de energia do Jornal do Cambuci e Aclimação é sua preocupação diária com os problemas da região e a sua vontade de tentar resolvê-los da melhor maneira possível.
Em 28 anos de vida temos muito mais coisas para lembrar, mas neste momento queremos agradecer a toda a comunidade que esteve ao nosso lado nas principais lutas. Às entidades sociais e filantrópicas que fazem um trabalho incomparável e sério e que fazemos questão de divulgar. Às lideranças sociais e políticas que independente da linha partidária colocam os interesses da comunidade em primeiro lugar. Aos leais funcionários que mesmo nas dificuldades compreendem que estamos no mesmo barco e se remarmos para o mesmo lado fica tudo mais fácil. Aos nossos anunciantes e leitores que dão vida ao jornal. Aos meus amigos e minha família que sempre tem uma palavra de apoio nos momentos mais difíceis.
Ufa! É muito agradecimento, mas necessários.
Espero de coração que 2010 seja um ano de crescimento e sucesso para toda a comunidade. O Jornal do Cambuci e Aclimação estará presente mantendo sua proposta de Imprensa Comunitária e de instrumento de defesa e reivindicações do interesse da maioria como pensavam aquele grupo de jovens estudantes da Cásper Líbero.
Roberto Casseb
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Poucos sabem, mas a maior agremiação do samba paulista na primeira metade do século passado, responsável por dez títulos consecutivos nos anos 40 e 50, nasceu no Cambuci.
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Que fazes aqui
No bairro do Cambuci
Á sudeste do marco zero
Neste bairro que venero.
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Luís de Oliveira Lins de Vasconcelos nasceu em 12 de
outubro de 1853, na cidade de Maceió, Alagoas.
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